ANDANDO NA GRAÇA - AEMSF

RESTAURANDO O CULTO A DEUS

Há a necessidade urgente de restabelecer e restaurar o culto a Deus. A igreja, em sua maioria, perdeu a direção e está longe de prestar o verdadeiro culto a Deus. Foi perdida a essência, a atmosfera de adoração, serviço e comunhão. O verdadeiro culto une fé e razão numa proporção capaz de unir céu e terra, trazendo ou atraindo a presença de Deus até nós. Como dizia o salmista: “Tu és o santo, o que habitas entre os louvores do povo” {Sl 22.3}.

Culto não é show, espetáculo, entretenimento, passatempo, diversão. Não é demonstração de sabedoria humana, sessão de auto ajuda, nem tão pouco palestra de coach motivacional. Não é desfile de moda, exposição de carros, exposição de aparelhos eletrônicos. Não é momento para locupletar o apóstolo, bispo ou qualquer que seja o título eclesiástico.

“Algumas igrejas manifestam tanta preocupação em agradar os não-crentes com entretenimento, que esqueceram que seu proposito principal é agradar a Deus”. John MacArthur

Culto é adoração, por isso só há um foco, um motivo, uma causa: DEUS! Culto a Deus é: prestar serviço, realizar um serviço sagrado, serviço e adoração de acordo com os requerimentos bíblicos, ofertar dons, homenagear, reverenciar, honrar, ao único que é digno: DEUS! “Deus deve ser em extremo tremendo na assembleia dos santos e grandemente reverenciado por todos os que o cercam”. {Sl 89:7}

O culto precisa ser restaurado e para isso precisamos reaprender a sua definição e o seu funcionamento. Na Bíblia há quatro etapas de desenvolvimento da adoração a Deus:

1.      Os patriarcas adoravam construindo altares e oferecendo sacrifícios {Gn 12:7-8; 13:4}.

2.      Em seguida veio a adoração no TABERNÁCULO e no Templo, com um sistema completo de SACRIFÍCIOS.

3.      A adoração nas SINAGOGAS começou durante o CATIVEIRO.

4.      Da adoração cristã fazem parte:

  1. Pregação {At 20:7},
  2. Leitura das Escrituras {1Tm 4:13},
  3. Oração {1Tm 2:8},
  4. Louvor {Ef 5:19}
  5. Ofertas {1Co 16:1-2},
  6. Batismos {At 2:37-41}
  7. Ceia do Senhor {1Co 11:23-29}.

A igreja precisa retomar a essência do que faz parte a adoração cristã, mencionada nesse quarto item, tendo em atenção ao que ordenou Paulo: “Mas faça-se tudo com decência e com ordem, com entendimento (razão)”. {Rm 12:1; 1Co 14:40}. Paulo tinha tanto cuidado com o culto que deu instruções até sobre o falar em línguas durante o serviço, para que o descrente ou indouto também pudesse participar e dar o amém. {1Co 14:16,24}. Recomendou que na pregação não fosse usado discurso eloquente ou de excesso de sabedoria, também não podia consistir em linguagem persuasiva, mas em demonstração do Espírito e de poder, para que a fé dos que ouvissem não fosse apoiada em sabedoria dos homens, mas no poder de Deus. {1Co 2:1-5}

Mas não é o que temos presenciado. O foco é sempre o homem, não DEUS! Está faltando temor, reverência, integridade, fidelidade, fé, unção, verdade. Abunda ostentação, luzes especiais, outras vezes escuridão com paredes pretas e luzes focadas no preletor ou dirigente, som alto, artifícios variados, piadinhas, historietas, clichês ao estilo animador de auditório: “Deus tem o melhor pra você”; “Uma nova história Deus tem pra você”; “O melhor de Deus ainda está por vir”; “A letra mata!”; “Não julgueis!”; “Aceite Jesus em seu coração”, “Vire para o irmão ao seu lado e diga…” etc. Exagero de emoções, músicas de fundo que tocam a alma que ora leva a tristeza e ora leva a alegria, arrepios que são confundidos com unção, alterações de humor e até histeria. Tudo isso, possibilitando ao preletor conduzir as emoções dos seus ouvintes.

Temos pouquíssimos resultados quando comparados aos irmãos da igreja primitiva ou até mesmo aos antigos da velha dispensação. Temos livros, mídias digitais, tv, internet, seminários, congressos, encontros, etc., até mesmo a Bíblia em vários idiomas e em várias versões – coisas que os antigos não tinham e os nossos resultados são tão pífios.

Muitos “Hofnis e Finéias” {I Sm 2.17} têm passado pelos “palcos” das igrejas, fazendo com que as pessoas desprezem as ofertas ao Senhor, o sacrifício de louvor {Sl 50.23; Hb 13.15}. Muitos destes querem dar aquilo que não têm, são cântaros vazios – secos derramando o que não têm. Por isso a glória do Senhor vem, porque é atraída pelo louvor {Sl 22:3} não pelo grupo, mas pelo louvor e adoração, mas quando esta glória se depara com um povo carnal, ela se retrai, {Is 48.11}, por isso não vemos diferença nos jovens, por isso não há milagres, sinais, prodígios, palavra com ousadia e com sabedoria.

O que vocês, líderes de grupos de louvor juntamente com seus cantores e músicos fizeram com o louvor congregacional? Diversos problemas são encontrados nas igrejas modernas, com a anuência ou omissão dos pastores:

– Letras sem sentido, dúbias, descontextualizadas; músicas difíceis, com batidas exageradas que aceleram os batimentos cardíacos, para dizer pouco. Letras e músicas não combinam, enquanto uma nos leva ao céu a outra nos segura na terra.

– Desconexão total entre o grupo de louvor e o povo, cada um segue em lados opostos. Enquanto o grupo acha que está chegando ao céu o povo continua completamente alheio ao que está acontecendo. A realidade é que a maioria das pessoas não vê a hora daquele período terminar.

– Ausência de respeito aos pastores. A maioria dos líderes e seus grupos não obedecem à autoridade pastoral, pensam que possuem um ministério, ou dom, o seja lá como chamem, completamente independente dos pastores e que o momento das músicas é separado do momento da palavra e da ministração. Atualmente ressuscitaram o ministério levítico sem os ônus que os originais tinham. Quando os pastores reclamam do som alto ou das letras antibiblicas eles ignoram e continuam o show. Show? Sim, porque o que fazem é show e nunca uma ministração.

Essa somatória que vem dos palcos da maioria das igrejas modernas pode atrair uma grande audiência, como qualquer show pode encher plateias, porém será uma audiência de corações vazios, descompromissados.

Em suma o grande problema das igrejas modernas é o púlpito, tal o púlpito qual a igreja. Smith Wigglesworth, considerado o apostolo da fé, fez a seguinte declaração: “Existem muitas igrejas onde jamais se faz o tipo de oração de Atos 4:31. É uma igreja que não sabe orar e clamar, nunca será sacudida. Se você frequenta um lugar como esse, pode muito bem dizer: “Icabode – a glória do Senhor se retirou de sobre o átrio”. Somente quando os homens aprendem o segredo da oração e da adoração, é que Deus se aproxima. Quando todo o povo comparecer, orar e adorar como fizeram os primeiros discípulos, algo acontecerá. Os que estiverem presentes vão pegar fogo e querer voltar. Contudo, não terão nenhuma utilidade num lugar onde tudo é formal, seco e morto. Está na hora do povo de Deus aprender como clamar com fé enquanto contemplam o poder eterno de nosso Deus, para Quem é perfeitamente possível ressuscitar os mortos.”

A restauração do culto a Deus começa pela restauração do púlpito, das pessoas que ocupam aquele espaço, sejam pastores, sejam músicos, sejam colaboradores. Segundo Roberto L. Summer “A chave de uma igreja inflamada: “o homem de Deus”. Mas qual é a causa da quase universal frieza e falta de poder nas nossas igrejas de hoje? A resposta, está na frieza e esterilidade da média dos pastores e evangelistas. O Dr. Porter afirma que, nos casos em que têm fracassado os esforços visando o avivamento, “o maior obstáculo foi o ministro”. Um ministério inflamado gera uma igreja inflamada, da mesma maneira um ministro de coração frio gera uma congregação regelada. Não é necessário que tenha talento, que seja uma capacidade, que seja dotado de personalidade excepcional ou língua fluente, pois nesses setores Deus pode mais do que suprir as deficiências, porém o homem que Deus usa há de ser puro (Santidade)”.

Cada vez que o pregador se levanta para proclamar as riquezas insondáveis de Cristo, existe forte possibilidade de que irá entregar a mensagem de Deus a alguma alma pela última vez aquém da eternidade. Como precisa ter a certeza de ser o homem de Deus com a mensagem de Deus! E isso será determinado em parte pela vida que ele vive. Esta geração imersa em pecado, enlouquecida mediante a levedura da corrupção satânica, necessita urgentemente de homens de paixão, de preparação, de unção divina e de sacrifício, nos púlpitos das nossas igrejas – Quem é marcado sabe que foi marcado, não é sensação é certeza!

Eis algumas das condições para um poderoso ministério de púlpito, qualidades pessoais do homem a ser usado por Deus, qualidades exigidas para ocupar o púlpito de uma igreja: íntimo contato com Deus, estudioso da Bíblia, dedicado a oração, puro, zeloso, preparado, cheio poder, autoridade, unção, sacrifício e paixão. O serviço integral a Deus importa no sacrifício de tempo, de vida doméstica normal, de dinheiro, de estima aos olhos do mundo e de muito mais a que o homem natural e o coração natural dão grande ênfase e importância. Mas, embora seja elevado o preço, os dividendos são grandes para o servo que esteja pronto a satisfazer as condições do poder.

Quando olhamos para os homens do passado, aqueles que estudamos suas vidas, seus sucessos, seus resultados conseguimos entender o porquê deles terem sido tão usados por Deus e ficamos com a sensação de que nossos púlpitos, hoje, estão vazios de homens como aqueles. Temos muitos teólogos, com grande oratória, mas com poucos resultados e nada eficazes. Em certos meios a oratória é substituída pelos gritos, palavras de ordem que levam o povo a êxtase.

Precisamos retornar as veredas antigas, aos antigos princípios que nos ensinaram nossos pais na fé, como afirmou William Arthur: “É somente esperando diante do trono da graça que nos tornamos imbuídos do fogo santo. Todo aquele que espera longamente, confiantemente, ficará envolto nesse fogo, e sairá de sua comunhão com Deus exibindo os sinais de onde esteve. Para o crente individual e, acima de tudo, para cada obreiro da seara do Senhor, a única maneira de adquirir poder espiritual é mediante a espera secreta perante o trono de Deus aguardando o batismo do Espírito Santo. Por conseguinte, se você deseja que a sua alma fique sobrecarregada do fogo de Deus, de forma que aqueles que se aproximarem de você sintam uma tremenda influência, você terá que aproximar-se bem perto da fonte originária desse fogo até as cercanias do trono de Deus e do Cordeiro, isolando-se inteiramente do mundo, que num segundo pode furtar nosso fogo espiritual. Entre em seu aposento, feche a porta e ali, isolado de todos, diante do trono da graça, espere pelo batismo. Então o fogo do céu haverá de enchê-lo. Somente assim é que você não trabalhará acionado por suas próprias forças, mas sim “… em demonstração de Espírito e Poder”.

Chegamos à conclusão que para restaurar o culto a Deus precisamos primeiro eliminar o maior problema: o pecado do púlpito, em segundo precisamos restaurá-lo, ou seja, os homens de Deus precisam ser restaurados. Como já afirmei anteriormente e repito: A restauração do culto a Deus começa pela restauração do púlpito ou plataforma, das pessoas que ocupam aquele espaço, sejam pastores, sejam músicos, sejam colaboradores.

Oração: Ó Senhor concede aos teus servos que falem com toda a ousadia a tua palavra; enquanto estendes a tua mão para curar, e para que se façam sinais e prodígios pelo nome do teu santo Filho Jesus, mova este lugar em que estamos reunidos; e sejam todos cheios do Espírito Santo, enquanto anunciamos com ousadia e sabedoria a palavra de Deus. – parafraseado {At 4.29-31}

Qual o segredo? Precisamos de homens de oração, com os joelhos calejados, humilhados diante de Deus, que clamam, suplicam – horas, dias e noites, até conseguir os resultados desejados. Homens que jejuam (nada mais é do que humilhar a carne e colocá-la no seu devido lugar). Aqueles que sabem que as respostas não são imediatas, por isso são persistentes, perseverantes, pacientes, que permanecem em fé durante o tempo de espera. Vamos abandonar as muletas, que não dão resultados, e vamos nos fixar na Palavra de Deus.

Smith Wigglesworth nos deixou a seguinte lição: Deus valorizou bem a sua Palavra. Ele a chama de: “FOGO”, “MARTELO”, “ESPADA”. Ora o fogo queima; um golpe de martelo fere, esmaga; um golpe de espada corta e provoca muita dor. Quando a Palavra de Deus é proclamada no poder e na unção do Espírito, serão exatamente estes resultados: queimará como fogo; despedaçará como um martelo, trespassará como uma espada. A dor espiritual e psíquica será tão severa e real como a dor física. Em caso contrário, há algo errado ou com a mensagem ou com o mensageiro.

Quando os homens, aqueles que conduzem a igreja no culto a Deus, cumprirem os requisitos exigidos na Palavra, tendo Deus como centro, quando todos os empecilhos forem removidos, quando o pecado e os embaraços forem removidos, presenciaremos novamente a glória de Deus, a Sua presença em nosso meio. Então veremos, novamente, a igreja em sua plenitude, conforme essa descrição: {At 4.31-35} Depois de orarem, tremeu o lugar em que estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo e anunciavam corajosamente a palavra de Deus. Da multidão dos que creram, uma era a mente e um o coração. Ninguém considerava unicamente sua coisa alguma que possuísse, mas compartilhavam tudo o que tinham. Com grande poder os apóstolos continuavam a testemunhar da ressurreição do Senhor Jesus, e grandiosa graça estava sobre todos eles. Não havia pessoas necessitadas entre eles, pois os que possuíam terras ou casas as vendiam, traziam o dinheiro da venda e o colocavam aos pés dos apóstolos, que o distribuíam segundo a necessidade de cada um.

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