MALDIÇÃO SEM CAUSA NÃO VIRÁ (II)

Gostaria de retomar o tema: “Maldição sem causa não virá”. E por que? Em primeiro lugar veja o que diz a Palavra de Deus acerca deste assunto:

Provérbios 26:2 – “Como o pássaro no seu vaguear, e como a andorinha no seu vôo, assim a maldição sem causa não virá”.

Isaías 54:17 – “Não prosperará nenhuma arma forjada contra ti; e toda língua que se levantar contra ti em juízo, tu a condenarás; esta é a herança dos servos do Senhor, e a sua justificação que de mim procede, diz o Senhor”.

Salmos 91:10 – “nenhum mal te sucederá, nem praga alguma chegará à tua tenda”.

Temos a Palavra de Deus como regra em nossas vidas, então precisamos crer mais nesta Palavra do que na palavra dos homens. Por que este tema?

Cada vez mais, nos últimos dias, líderes de grandes denominações fazem ameaças veladas a todos os que saem de suas coberturas, intimidando as pessoas com esta prática. Esses irmãos vivem infelizes, frustrados e se calam com medo dessas maldições.

Infelizmente tais homens utilizam a Palavra de Deus como fundamento às suas posições e é isto que deixa as pessoas amedrontadas. São líderes que manipulam a Palavra usando verdades com meias verdades infligindo em seus ouvintes o terror, obrigando-os a se submeterem ao que eles pensam e decidem, à força.

Vamos ver um exemplo prático: alguém perguntou a um líder evangélico, em seu programa de TV, se era certo um pastor sair de uma denominação. Acontece que o pastor em causa não se contentou em sair da denominação, logo em seguida ele formou uma nova denominação e por cartas estava aliciando os membros da primeira denominação a virem se ajuntar a ele nesta nova “igreja”. Isto é certo?

A resposta do líder da TV foi: Provérbios 18:1 – “Busca seu próprio desejo aquele que se separa; ele insurge-se contra a verdadeira sabedoria”. E continuou: Todo aquele que se separa está buscando os seus próprios interesses e sempre há interesses escusos por trás desta atitude. Todos que se separam querem se autopromover, querem satisfazer os seus desejos e por isso se levantam contra a verdadeira sabedoria.

Ora, em parte esta resposta está correta, pois, no exemplo citado o homem saiu da denominação e logo em seguida foi aliciar as ovelhas alheias. Toda grande denominação tem um líder e muitos pastores, até muitos bispos, mas, as ovelhas não são dos pastores e sim do “grande líder”. Sendo assim este pequeno pastor errou ao sair fazendo o aliciamento de ovelhas que não eram suas, ele sabia que as ovelhas não eram suas, mesmo as que ele batizou, discipulou, etc. Ele fez isso debaixo de uma denominação onde tem um líder. Como assim?

Imagine uma lavoura numa grande fazenda. A propriedade tem um dono, o responsável legal. Como esta fazenda é muito grande este proprietário arrenda ou empresta pequenas partes a vários colonos para que estes plantem, cuidem e façam a colheita. Quando chegar a hora de prestar contas o colono não poderá reivindicar a propriedade da parte que lhe foi confiada, alegando que foi ele quem trabalhou, quem fez todo o esforço e por isso aquilo agora é dele. Com certeza o proprietário da terra entrará com um mandado de reintegração de posse porque toda a terra lhe pertence e há um acordo com o colono de que ele trabalharia na terra, mas o resultado deste trabalho não lhe pertenceria, para isso ele seria recompensado, mas não teria a propriedade.

Assim é uma denominação. O líder desta denominação é o seu “proprietário”, ele divide a sua denominação em várias congregações e as delega a pastores que fazem todo o trabalho, mas, conscientes de que as congregações não lhes pertencem, a qualquer momento deverão prestar contas e se for preciso deverão devolvê-las.

Por isso afirmei que em parte a resposta está correta, porque ao generalizar que todos os que se separam estão buscando os seus próprios interesses e tem motivos escusos, e ainda ao reforçar a segunda parte do versículo, este pastor da TV, como todo líder de grande denominação, se coloca como dono da verdadeira sabedoria e qualquer um que discordar dele está mal, é um rebelde, um ladrão, etc., mas será que isto é assim? Não! Porque, em geral, esse líder também fez a mesma coisa no passado!

Onde podemos ver atitudes semelhantes a estas? Examinem a história e verão que todos os ditadores agiram assim, eliminando todos os que lhes faziam oposição. Normalmente os líderes começam defendendo a verdade, com bons ideais, mas quando alcançam o poder transformam-se mostrando as falhas de seu caráter. Então, para encobrir as suas falhas, os seus temores, tornam-se agressivos e violentos, desconfiados, e as pessoas ao redor passam a não ter valor (podemos afirmar que são “descartáveis”), mas ainda assim eles não querem que ninguém saia do seu comando. Por quê?

Liderança tem vários níveis: posição, permissão, produção, reprodução e respeito. Não vamos nos ater a cada um destes níveis, apenas quero mencioná-los, isto é tema para outro estudo. Mas o líder que atinge a posição de respeito é alguém que conseguiu, ao longo dos anos, transmitir os seus ideais e fez seguidores fieis, e estes seguidores sentem prazer em trabalhar para este líder e fazer com que a sua obra (igreja, empresa, etc.) progrida. Com certeza o maior exemplo de liderança de respeito é o Senhor Jesus Cristo, pois a cada ano os seus seguidores aumentam e todos sentem prazer e alegria em se multiplicar.

As pessoas suportam um líder de posição por “n” motivos, mas é uma liderança baixíssima, nenhum líder verdadeiro quer permanecer neste nível. Os ditadores, normalmente, foram líderes respeitados, mas não souberam manter-se lá. Por questões comportamentais foram declinando até retornar ao nível de posição e para se manter em liderança usam de ameaças, maldições, violências, manipulações, jugos, calunias, difamações, etc. Então as pessoas que ficam ao lado destes líderes o fazem por medo, ou porque precisam do salário, ou porque estão aproveitando da situação (ao lado dos ditadores sempre existiram aqueles que aproveitaram da situação em benefício próprio), outros não conseguem enxergar a verdade e são seduzidos pelas palavras e atitudes destes líderes (basta ver o exemplo de Hitler).

Recentemente ouvi acerca de um pastor que estava muito descontente com as atitudes do seu líder, e isto foi piorando cada vez mais. Juntamente com sua esposa, este pastor começou a pensar em sair da denominação e consequentemente sair do domínio deste líder mau. Alguns dias depois ele ouviu o seu líder amaldiçoando todos aqueles que saíssem de sua denominação (menciono este fato na primeira parte deste artigo) e isto gerou neste casal uma grande intimidação; alguns dias depois este pastor teve um enfarte e logo associou este incidente com a mensagem do seu líder, ainda que não tivesse saído da denominação e simplesmente foi um pensamento, uma conversa, que ele e sua esposa tiveram. Deus enviou outro pastor ao hospital e este homem pôde receber o alivio e ser ministrado com esta palavra, afinal “maldição sem causa não virá”.

Mas afinal, se o líder da denominação estiver agindo errado e contra a Palavra de Deus, eu posso deixar esta liderança sem ser amaldiçoado, sem medo e com a Paz de Deus em meu coração?

Resposta: SIM!

No final do primeiro artigo eu afirmei: “Da mesma maneira todo pastor, ou apóstolo, ou bispo, ou profeta, que nos mandar ir contra a Palavra de Deus, vamos desobedecê-lo e sem perigo de maldição. Se qualquer um destes pregar que Deus aprova o divórcio, ou mandar algum marido divorciar de sua esposa, ou o contrário, ou permitir que adúlteros e fornicadores ministrem o louvor em suas igrejas, se qualquer um destes der mais valor ao dinheiro do que as pessoas, e assim por diante, eu vos digo: ‘Mais importa obedecer a Deus do que aos homens’”. Reitero estas palavras e para confirmar ainda mais vejamos o exemplo de Davi em relação a Saul:

Saul, rei, ungido por Samuel a mando de Deus, começou muito bem, obediente a Deus e ao Profeta e continuou assim por um bom tempo, com vitórias sobre os inimigos, tendo a aprovação do povo. Tudo corria muito bem até que deliberadamente e descaradamente desobedeceu a uma ordem do profeta, consequentemente uma ordem de Deus. Samuel deu uma ordem a Saul: este deveria esperar sete dias até que Samuel voltasse e então iria oferecer o sacrifício – função do sacerdote – uma ordem simples, bastava ser cumprida. Mas Saul desobedeceu e ao ser confrontado por Samuel não reconheceu o seu erro e ainda colocou a culpa no povo. Devido a esta atitude Saul foi duramente repreendido por Samuel e por isso veio à sentença que o seu reinado não subsistiria (I Sm. 13:13 e 14). Mas ainda continuou no reinado, até que mais uma vez desobedeceu deliberadamente às instruções de Deus (I Sm. 15).  Ao poupar a vida de Agague e tomar os animais e o melhor que havia, Saul tirou os olhos de Deus e cobiçou o poder e as riquezas deste mundo, cobiçou o que era desprezível para Deus.

O versículo 11 do Capítulo 15 diz que Deus se arrependeu de pôr Saul como rei, porque este deixou de seguir a Deus de executar as suas Palavras. Ainda assim Saul não mostra arrependimento, ainda se mostra pretensioso e arrogante. É interessante notar que apesar disso Saul continua como rei durante muito tempo apesar de Deus retirar a sua unção.

Porque o líder continua no “poder”, ou a frente da denominação, continua pregando, orando, viajando, abrindo novas congregações, formando novos “pastores”, angariando riquezas muita gente pensa que a unção de Deus continua sobre este líder, esquecendo que os dons são dados sem arrependimento, por isso não são tirados (Rm. 11:29).

A prova desta afirmação está em Mateus 7:21-23: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no Reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele Dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E, em teu nome, não expulsamos demônios? E, em teu nome, não fizemos muitas maravilhas? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade”.  

Estas pessoas “cumpriram” o mandamento de Deus à risca, mas o problema está no final do v. 23, onde afirma que tais pessoas nunca abandonaram a prática da iniquidade. Apesar fazerem o que é certo, aparentemente, as intenções do coração sempre foram malignas. Se buscarmos nossos interesses em detrimento aos interesses de Deus, isto é, iniquidade.

Deus elegeu um novo rei, Davi, foi ungido por Samuel, mas apesar de ser rei ungido, não era rei empossado. Davi esperou cerca de sete anos por Israel e cerca de quinze anos por Judá. O verdadeiro líder nunca se impõe, mas espera que sua liderança seja reconhecida. Assim foi com Davi ele esperou até que o povo lhe conduziu ao trono.

Durante o tempo de espera de Davi, Saul foi de mal a pior. Consultou uma necromante (leia neste site “Saul e a feiticeira”), jurou de morte e perseguiu a Davi, encheu-se de inveja e de ódio, lançou maldições, fez votos tolos, foi atormentado por espírito maligno. Mas a atitude de Davi foi magnífica, preferiu fugir, se esconder a ter que tocar no ungido de Deus. “E disse Davi a Abisai: Nenhum dano lhe faças; porque quem estendeu a sua mão contra o ungido do SENHOR e ficou inocente? ” (I Sm. 26: 9).

Davi tinha a consciência de Deus, entendia bem o que é autoridade e submissão, o princípio do Reino de Deus.

Davi nunca atacou a Saul, nunca fez armadilhas, nunca caluniou, sempre foi submisso, mas na loucura de Saul não havia mais como ser submisso a Saul, então Davi se afastou, deixou a liderança de Saul e mesmo sendo perseguido e amaldiçoado não revidou e por isso Deus o honrou.

Saul teve um final trágico, sua descendência não assumiu o trono. Saul confirmou a frase: “o orgulho precede a queda”. Esta frase é confirmada em Provérbios 29:23 – “A soberba do homem o abaterá; mas o humilde de espírito obterá honra. ” E também em Provérbios 16:18 diz: – “A soberba precede a destruição, e a altivez do espírito precede a queda. ”

Afinal, precisamos temer as maldições de homens que praticam a iniquidade, apesar destes homens serem líderes de denominações, terem muito poder e riquezas?

De modo algum. Façamos como Davi, sigamos o seu exemplo. Todos nós deveríamos estudar o livro de I Samuel Capítulos 8 a 31.

Lamentamos o fato de ver homens que começaram muito bem, lançando a semente, andando e chorando, e quando chega à hora de colher os frutos com alegria, por verem a grande multiplicação que Deus dá, estes homens enchem-se de orgulho, com a fama e a riqueza vem à soberba, a liderança é trocada por um autoritarismo sem sentido. Quantos líderes ao longo da história caíram em desgraça, porque deixaram o Senhor nem foram obedientes a Sua Palavra. Da mesma maneira que muitas pessoas fugiram do nazismo, comunismo, do fascismo, por não suportarem as atrocidades cometidas pelos “líderes” destes movimentos, por qual razão um cristão temente a Deus, fiel a Palavra, deve ficar submisso a alguém que deixou o temor do Senhor e que não obedece a Sua palavra?

Repito a afirmação de Pedro:

“Mais importa obedecer a Deus do que aos homens”.

 

 

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