PASTORES, NÓS PRECISAMOS MAIS DE DEUS

Nos últimos anos tenho feito diversas análises conjunturais sobre o estado da Igreja e o sistema denominacional que foi criado para justificar os diversos tipos de governos, formas, pensamentos, lideranças que foram levantados, principalmente, ao longo do último século. Com tantos elementos disponíveis tem sido possível avaliar os pontos positivos e os muitos pontos negativos desse crescimento denominacional e o tanto que isso contribui para o fortalecimento da verdadeira Igreja e o quanto desmascara o que está sendo construído sobre outro Jesus, outro espirito e outro evangelho (II Coríntios 11:4).

Esse crescimento denominacional fez surgir um grande número de pastores, bispos e apóstolos, como nunca na história da Igreja, sobretudo após o final da década de 1970. Esse crescimento desenfreado tornou possível a qualquer pessoa, sem preparo ou não, com chamada ou não, entrar para o ministério pastoral, gerando assim pessoas inseguras, estressadas, ansiosas, tristes, frustradas, criando um grande problema, até, de saúde pública, a ponto de que uma jornalista chamada Marília Camargo escreveu um livro intitulado: Feridos em Nome de Deus – Editora Mundo Cristão:

Quando a fé se deixa manipular, pessoas viram presas fáceis de toda sorte de abuso. A confiança autêntica e sincera em Deus é gradualmente substituída pela submissão acrítica aos desmandos de lideranças despreparadas. Carentes de acolhimento são habilmente capturados pela manipulação emocional de líderes medíocres de plantão e ambos seguem de braços dados experimentando religiosidade fútil e meritória, barganhando a todo momento com Deus. Por ser uma religiosidade descaracterizada da adoração sincera, mais cedo ou mais tarde o castelo de cartas desmorona deixando feridas abertas pelo caminho.

Nos últimos tempos ouvimos relatos de muitos pastores sobre o esgotante e cansativo ato de pastorear. Segundo esses relatos nenhum trabalho ou responsabilidade consome mais as energias e saúde do que liderar uma Igreja. Dizem que a Igreja precisa urgentemente se preocupar com o descanso e a saúde dos seus pastores, que os membros das igrejas cristãs não podem abrir mão de um tratamento digno com os seus pastores, “afinal eles são iguaizinhos a vocês”. Antes de pensar no pastor como um super homem é preciso lembrar que existe um ser humano a imagem de Deus atrás do púlpito. E pedem que Jesus levante uma Igreja onde cuidar dos pastores não é opção, mas sim fundamental.

Está demonstrado que esse quadro atual usado pelo sistema denominacional não funciona, além de ser doentio e perverso, a tal ponto de chegar ao conhecimento geral de que pessoas com títulos eclesiásticos de pastores têm tirado a sua própria vida.

A vida é galardão, presente, dom de Deus, assim sendo ninguém, repito, ninguém, tem poder para tirar ou dar a vida a não ser Deus, pois ela é patrimônio exclusivo Dele. Desde o princípio é evidente e patente a Sua autoria, conforme o relato de Gênesis 2:7 – “Do pó da terra formou o Senhor Deus ao homem e soprou-lhe nas narinas o fôlego de vida; e o homem tornou-se um ser vivente.” Assim sendo, a vida de todos nós está pendurada por um fio e esse fio é a vontade de Deus, tão forte ou tão fraca quanto a vontade de Deus! Outra prova evidente dessa verdade é o relato de Ezequiel (Ezequiel 37:1-2,8-10). Acerca da visão que ele teve sobre um vale cheio de ossos secos, o Senhor o levou em espírito, e o pôs no meio de um vale que estava cheio de ossos, e o fez andar ao redor deles, eram mui numerosos e estavam sequíssimos. Veio a ordem do Senhor e Ezequiel profetizou sobre aqueles ossos, e enquanto ele olhava, os ossos se cobriram de tendões e músculos e depois de pele. Porém não havia respiração nos corpos. Então o Senhor ordenou que profetizasse ao vento, dizendo que o Senhor Deus estava mandando que ele viesse de todas as direções para soprar sobre aqueles corpos mortos a fim de que vivessem de novo. Então Ezequiel profetizou conforme a ordem que havia recebido, a respiração entrou nos corpos, e eles viveram de novo e ficaram de pé. Havia tanta gente, que dava para formar um enorme exército. Poderíamos ficar aqui citando textos e mais textos bíblicos confirmando a veracidade da afirmação de que DEUS é o autor e dono da vida. Quero enfatizar isso:  Ninguém, repito, ninguém, tem poder para tirar ou dar a vida a não ser Deus, pois ela é patrimônio exclusivo Dele.

As situações e as grandes dificuldades que se apresentam em nossa vida não são motivos justificáveis para dar cabo a vida, veremos alguns relatos bíblicos que comprovam essa afirmação no artigo “Homens aprovados por Deus”. Jesus afirmou que teríamos aflições, mas nós poderíamos ter bom animo e paz porque Ele venceu o mundo (Joao 16:33).

Em meu artigo “A DIFERENÇA ENTRE E SER E ESTAR PASTOR”, escrito e publicado em 2011, eu afirmo que Ser pastor é responder à uma chamada de Deus, estar pastor é responder à uma chamada da denominação, por isso quando algo vai mal na denominação muitos abandonam ou entram em crise com sua “chamada”. Ser pastor é ser disponível como o Apóstolo Paulo afirmou em I Coríntios 4:9-13 (Quem diz apóstolo diz o mesmo aos outros chamados do ministério): Porque tenho para mim que Deus a nós, apóstolos, nos pôs por últimos, como condenados à morte; pois somos feitos espetáculo ao mundo, aos anjos e aos homens. Nós somos loucos por amor de Cristo, e vós, sábios em Cristo; nós, fracos, e vós, fortes; vós, ilustres, e nós, vis. Até esta presente hora, sofremos fome e sede, e estamos nus, e recebemos bofetadas, e não temos pousada certa, e nos afadigamos, trabalhando com nossas próprias mãos; somos injuriados e bendizemos; somos perseguidos e sofremos; somos blasfemados e rogamos; até ao presente, temos chegado a ser como o lixo deste mundo e como a escória de todos. O Apóstolo Paulo ainda afirmou em Filipenses 4:11-13 – Não digo isto como por necessidade, porque já aprendi a contentar-me com o que tenho. Sei estar abatido e sei também ter abundância; em toda a maneira e em todas as coisas, estou instruído, tanto a ter fartura como a ter fome, tanto a ter abundância como a padecer necessidade. Posso todas as coisas naquele que me fortalece.

Um servo de Deus enfrenta muitas adversidades e nem por isso desiste de sua chamada. Ai está à diferença entre ser e estar. O fato de estar pastor, ostentando um título, um cargo, um bom salário, usufruindo de regalias e poder não faz dessa pessoa realmente um pastor.

Provérbios 24:10 declara: Se te mostrares frouxo ou fraco no dia da angústia, tua força será pequena. E o Senhor declarou a Jeremias: Ora, Jeremias, se te propuseste a correr com os seres humanos e te cansaste, como poderás competir com os cavalos? Se tropeças mesmo em terreno firme e seguro, o que farás nos matagais junto ao Jordão? Jeremias 12:5

É preciso atentar diligentemente ao que ocupa a nossa mente, afinal a mente é um grande campo de batalha. Paulo afirmou que nós temos a mente de Cristo, então devemos pensar nas coisas que são de cima e não nas que são da terra; e deixou uma instrução para seguirmos à risca: Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai. ‘Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. (Colossenses 3:2; Filipenses 4:8; Romanos 12:2)

Do alto dos meus 40 anos de ministério, completados agora em 2019, e 24 anos de pastorado, sei bem o que é ser pastor, afinal filho de pastor, criados “aos pés” de pastores, tendo como mentores vários pastores, participando de ministérios grandes e pequenos, tenho propriedade para avaliar o que é a vida ministerial, ainda mais aprendendo com homens que deram a sua vida pela obra de Deus, e com meu pai que aos 83 anos e 9 meses de idade, após pastorear por mais de 50 anos partiu para estar com Cristo, que é incomparavelmente melhor, com uma alegria tão grande que o seu rosto reluzia e, como o Apóstolo Paulo (2 Timóteo 4:7-8), ele declarou: Fiz o melhor que pude na corrida, cheguei até o fim, conservei a fé. E agora está me esperando o prêmio da vitória, que é dado para quem vive uma vida correta, o prêmio que o Senhor, o justo Juiz, me dará naquele dia, e não somente a mim, mas a todos os que esperam, com amor, a sua vinda.

Cito no meu artigo “O PERIGO DE EDIFICAR UMA DENOMINAÇÃO E NÃO O REINO DE DEUS” escrito e publicado em 2009:

Segundo um estudo em Angola, boa parte das novas denominações, em sua maioria evangélica, é oriundo de cisões entre denominações já existentes e mais antigas, frutos de guerras internas de lideranças, desentendimentos entre líderes por doutrinas, etc. No Brasil existem milhares e milhares de denominações. Em Portugal só de uma única denominação já se originaram dezenas de outras pequenas denominações. Por todo lado se falam em Missões, denominações que preparam missionários para difundirem suas denominações. Em vários lugares do mundo, grupos pequenos de missionários isolados, muitas vezes desanimados, difundindo sua denominação.

Certa vez um pastor, em uma reunião em Lisboa/Portugal, perguntou-me: – Você sabe como começa uma nova uma nova “igreja” no Brasil? Reforçando que eu deveria saber afinal sou brasileiro de nascença. Mas mesmo assim, conhecendo as igrejas brasileiras como conheço, afirmei que não sabia exatamente como uma “igreja” nascia, não nos moldes como ele me afirmou: 1/3 vem com o pastor quando ele deixa sua denominação + 1/3 vem de outras denominações quando sabem que uma nova denominação foi aberta + 1/3 apenas, são aqueles que são juntados pela pregação do Evangelho (Novos Convertidos)

Será que vamos precisar de uma reforma protestante como a de Martinho Lutero?

Em DENOMINAÇÃO S/A. publicado recentemente eu abordo a questão das denominações terem virado empresas multinacionais:

Infelizmente o Evangelho se tornou em algo muito lucrativo para certas denominações, e seus líderes as transformaram em conglomerados empresariais. Pesquisando na internet encontrei uma descrição de um grupo religioso famoso, sim, grupo religioso, como as empresas que reúnem diversas organizações no Grupo Tal, ou Grupo Qual, vejamos: “Grupo Tal é constituído por fundações e organismos especializados numa variedade de atividades religiosas e caritativas, bem como organizações de índole empresarial que dão suporte às atividades do Grupo. O Grupo é construído por diversas áreas de apoio, tais como: construção civil, arquitetura, engenharia eletrotécnica, aviação, gráfica e editora.” Pois bem, aquilo que começou com uma chamada de Deus para alguém, cresceu, reuniu muitas outras pessoas, e a determinado tempo o líder, aquele mesmo que iniciou a obra por chamada de Deus, cresceu no orgulho e na vaidade e transformou uma chamada num rentável negócio, lucrativo, porém, apenas para ele, pois todos os colaboradores estão como empregados, com contratos elaborados por juristas renomados e que punem severamente qualquer um que ousar ir contra o semideus apostólico. A denominação deu origem à empresas e o pastor, se autodenominou apóstolo vitalício e CEO onipotente e não corrigível. É preciso ter cuidado com alguém que se diz líder e por isso não aceita correção, porque não passa de um cego guiando outros cegos ao abismo. Alguém que não reconhece seus erros não merece ser líder.

As Denominações S/A funcionam como os grandes conglomerados empresarias, e como tal pressionam muito os seus gerentes para que tenham resultados, e para isso dispõem de planilhas e gráficos atualizados constantemente, qualquer gerente que não apresente resultado satisfatório é rebaixado ou enviado para outra filial em área mais difícil ou problemática como forma de punição. Lembrando que os gerentes das Denominações S/A, via de regra, não recebem participações nos lucros, com raras exceções.

Essa pressão exacerbada gera meros funcionários, não geram pastores ou bispos que cuidam das ovelhas. Essa pressão por resultados gera medo, estresse, ansiedade, depressão, baixa autoestima, crise no relacionamento familiar, divórcios, adultérios, roubos, e tantos outros problemas. Geram pessoas que estão pastores mas não são pastores. E tal e qual as grandes empresas os apóstolos querem resultados e muitos resultados.

Como eu afirmei anteriormente nesse texto, venho sistematicamente fazendo essas análises da situação da igreja moderna e sobretudo do denominacionalismo nocivo à vida da igreja crista, sim, porque o problema não está na Igreja do Senhor Jesus Cristo e sim no sistema hibrido denominacional (que conheço bem) existente com tanta força nas últimas décadas, estou reescrevendo um artigo de 2009 sobre a solidão dos pastores e num dos parágrafos faco a seguinte afirmação:

Vivi, aproximadamente, durante 10 anos entre Europa e África pastoreando igrejas, sendo pastor de pastores, trabalhando muitas vezes 18 horas por dia, ajudando à muitos, mas em muitos momentos cruciais do ministério sem ser ajudado por ninguém. Mesmo tendo um pastor sobre minha vida, quase não podia contar com ele, nem com sua oração, ou mesmo com sua companhia, apesar de estarmos juntos muitas vezes durante o ano e de nos falarmos quase que diariamente por telefone ou por e-mail. E por quê? Porque entre nós havia um relacionamento de patrão e empregado, ou de diretor e gerente.

Sendo pastor de pastores entendo perfeitamente as necessidades e as dificuldades do ministério e dos ministros e por isso estava sempre à procura de meios para ajudar meus companheiros, relacionando-me com eles, dando-lhes tempo, ouvindo-lhes, emprestando-lhes, doando-lhes. Mas quando eu precisava de ajuda estava sozinho. O meu pastor cobrava os meus frutos, os meus resultados e, sobretudo os meus resultados financeiros. Ainda hoje muitos pastores buscam ajuda, aconselhamentos, diretrizes, alguém que os possa ouvir, ouvir os seus desabafos, coisas que suas esposas não podem ouvir, pois elas já têm uma carga enorme sobre suas vidas. Coisas que seus líderes não podem ouvir, pois poderia prejudicar sua avaliação e talvez a promoção tão sonhada e desejada tenha que ser adiada. Coisas que os seus diáconos não podem ouvir, pois tem em seu pastor um espelho, um modelo, a ser imitado e copiado.

Em outro artigo “O PASTOR, A IGREJA E SUA CHAMADA” escrevi:

A primeira coisa que precisamos entender é que um pastor não se nomeia pastor. Ele não acorda um dia e diz: – “Serei pastor!”; tão pouco seu pai ou seu tutor espiritual diz: “Tu serás pastor!”. Ser pastor é responder a uma chamada de Deus, é uma honra conferida por Ele, (Hebreus 5:4 – E ninguém toma para si essa honra, senão o que é chamado por Deus, como Arão). Então, isso já vem antes dele nascer, ainda no ventre de sua mãe. O apóstolo Paulo declarou que foi separado por Deus no ventre de sua mãe (Gálatas 1:15). A Bíblia comprova que é o próprio Senhor Jesus Cristo quem escolhe e separa no meio da multidão os seus obreiros, conforme Efésios 4:11. Ao longo dos anos essa chamada vai se desenvolvendo, passa a ser parte integrante dessa pessoa. Muitos relutam, tem medo, outros por serem filhos de pastor sentiram na pele parte da chamada de seus pais, mas mais cedo ou mais tarde é inerente cumprir a sua vocação. Quem é chamado por Deus sabe que é chamado, sabe que é marcado e não importam os acontecimentos à sua volta sempre chegará ao fim desejado.

Pastor não é formado em seminários, institutos teológicos, faculdades de teologia, escolas bíblicas e ministeriais, ainda que alguém que tenha a chamada de Deus possa usar esses meios para adquirir conhecimentos teóricos, mas é certo que jamais um pastor será formado nesses lugares.

Dr. W. G. Moorehead fez a seguinte declaração:

Nem a universidade, nem o seminário teológico, nem o presbitério, nem o bispo, pode criar um pastor, um mestre ou um evangelista. Somente o Cristo glorificado é que pode fazê-lo.

O serviço integral a Deus importa no sacrifício de tempo, de vida doméstica normal, de dinheiro, de estima aos olhos do mundo e de muito mais a que o homem natural e o coração natural dão grande ênfase e importância. Mas, embora seja elevado o preço, os dividendos são grandes para o servo que esteja pronto a satisfazer as condições do poder.

Pastor Joao A. de Souza Filho, meu amigo, e por quem nutro grande respeito, escreveu sobre a necessidade de pastores também serem pastoreados, apontando a solução para ajudarmos os pastores:

Trabalhar ajudando colegas de ministérios deveria ser dever de todo pastor. Ao longo dos anos aprendi que o pastor precisa ser também pastoreado, cuidado e compreendido por outros colegas de ministério, sem pretensão alguma; sem interesses pessoais, a exemplo de Barnabé que ajudou a Paulo a se erguer ministerialmente e, mais tarde foi por este incompreendido. Barnabé merece um texto à parte. Paulo aconselhou os líderes de Mileto e de Éfeso a que se cuidassem mutuamente, isto é, uns aos outros. “Cuidem de vocês mesmos e de todo o rebanho que o Espírito Santo entregou aos seus cuidados, como pastores da Igreja de Deus, que ele comprou por meio do sangue do seu próprio Filho” (At 20.28 – NTLH). Cuidem uns dos outros – aconselha Paulo – isto é, protejam-se mutuamente, unam-se, andem juntos, mas não tem sido assim desde que me tornei pregador do evangelho faz 44 anos. No entanto, na medida do possível procuro zelar por meus colegas de ministério – eles podem testemunhar a este respeito.

Acredito, no entanto, que os líderes que trabalham nos dias de hoje – grupos, organizações e denominações – precisam observar o que Paulo diz: Pois não vou atrás dos vossos bens, mas procuro a vós outros. Não devem os filhos entesourar para os pais, mas os pais, para os filhos. Eu de boa vontade me gastarei e ainda me deixarei gastar em prol da vossa alma. Se mais vos amo, serei menos amado? Pois seja assim, eu não vos fui pesado; porém, sendo astuto, vos prendi com dolo. Porventura, vos explorei por intermédio de algum daqueles que vos enviei? Roguei a Tito e enviei com ele outro irmão; porventura, Tito vos explorou? Acaso, não temos andado no mesmo espírito? Não seguimos nas mesmas pisadas?

As razões para tantos pastores frustrados, opressos, infelizes, inseguros, estressados, ansiosos, tristes, chegando ao ponto da depressão crônica são conhecidos, e servem de alerta aos crentes contra o autoritarismo dos pastores que se utilizam do chavão de que são “ungidos” de Deus e de discipuladores que reivindicando sua autoridade espiritual machucam vidas. Um alerta contra os profetas que usam de sua espiritualidade para lançar suas vítimas no hades aqui da terra.

Ao considerarmos o trabalho dos primeiros líderes da Igreja e mesmo diante de tantas perseguições, oposições, lutas, é inegável o empenho e o sucesso que eles tinham na pregação do Evangelho e o grande segredo deles era: perseverar na Oração e no ministério da Palavra (Atos 6:1-5). E para auxilia-los tinham os diáconos: homens de confiança, cheios do Espírito Santo e de sabedoria (Na Igreja de hoje temos esses homens?)

Antes disso receberam uma instrução de Jesus Cristo e cumpriram na integra (Atos 1:1-5): esperar em Jerusalém até que recebessem o revestimento do poder do alto, e assim fizeram, não saíram até que o Espirito Santo fosse derramado sobre eles. Alguns dizem que isso foi só para aquele dia e não há mais necessidade de esperar, ao verificarmos a Palavra de Deus veremos que essa informação não é verdadeira, é mais um engano que no final acaba criando uma geração de pastores cansados e abatidos.

O grande problema dos nossos dias é que os homens são chamados pelas lideranças das denominações e recebem informações de todo o tipo, são cheios de cultura, técnicas de administração entre outras, mas não são revestidos do poder do alto, dessa forma saem para trabalhar no poder do intelecto e querem fazer tudo na forca do seu braço, isso causa um grande esgotamento físico e mental, a obra é de Deus e deve ser feita na Sua força. Maldito é o homem que confia nos homens, que faz da humanidade mortal a sua força, mas cujo coração se afasta do Senhor. Bendito o varão que confia no Senhor, e cuja esperança é o Senhor. Porque ele será como a árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízes para o ribeiro e não receia quando vem o calor, mas a sua folha fica verde; e, no ano de sequidão, não se afadiga nem deixa de dar fruto. (Jeremias 17:5,7-8)

Hoje não pode ser diferente, e o homem que quiser ser poderoso no púlpito, com os homens, precisará primeiro ser poderoso de joelhos, diante de Deus. E.M. Bounds

Assim como o advogado, engenheiro, médico, os quais após receberem o diploma, precisam, também, receber a credencial da ordem, que é concedida após um rigoroso exame, assim também é com o verdadeiro ministro de Deus. Não basta ter o diploma, é preciso ter a plenitude do Espírito Santo para desempenhar suas funções. Nós sempre cometemos grandes erros quando fazemos algo às pressas. O ministério não é um lugar para o homem cujo “levanta-te e vai” já se levantou e se foi.

É somente esperando diante do trono da graça que nos tornamos imbuídos do fogo santo. Todo aquele que espera longamente, confiantemente, ficará envolto nesse fogo, e sairá de sua comunhão com Deus exibindo os sinais de onde esteve. Para o crente individual e, acima de tudo, para cada obreiro da seara do Senhor, a única maneira de adquirir poder espiritual é mediante a espera secreta perante o trono de Deus aguardando o batismo do Espírito Santo.

Por conseguinte, se você deseja que a sua alma fique sobrecarregada do fogo de Deus, de forma que aqueles que se aproximarem de você sintam uma tremenda influência, você terá que aproximar-se bem perto da fonte originária desse fogo até as cercanias do trono de Deus e do Cordeiro, isolando-se inteiramente do mundo, que num segundo pode furtar nosso fogo espiritual. Entre em seu aposento, feche a porta e ali, isolado de todos, diante do trono da graça, espere pelo batismo. Então o fogo do céu haverá de enchê-lo.

Somente assim é que você não trabalhará acionado por suas próprias forças, mas sim “… em demonstração de Espírito e Poder. William Arthur

Os pastores devem ter tempo para oração e para meditar na Palavra de Deus. Paulo orava da seguinte forma pelo rebanho de Deus: Efésios 1:16-23; 3:14-21

Não cesso de dar graças a Deus por vós, lembrando-me de vós nas minhas orações, para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê em seu conhecimento o espírito de sabedoria e de revelação, tendo iluminados os olhos do vosso entendimento, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos e qual a sobre-excelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder, que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dos mortos e pondo-o à sua direita nos céus, acima de todo principado, e poder, e potestade, e domínio, e de todo nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro. E sujeitou todas as coisas a seus pés e, sobre todas as coisas, o constituiu como cabeça da igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos.’

‘Por causa disso, me ponho de joelhos perante o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, do qual toda a família nos céus e na terra toma o nome, para que, segundo as riquezas da sua glória, vos conceda que sejais corroborados com poder pelo seu Espírito no homem interior; para que Cristo habite, pela fé, no vosso coração; a fim de, estando arraigados e fundados em amor, poderdes perfeitamente compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus. Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera, a esse glória na igreja, por Jesus Cristo, em todas as gerações, para todo o sempre. Amém!’

Que é essa possa ser a nossa oração, por nós mesmos, por nossas famílias, pelos nossos irmãos e pelos nossos pastores.

Caríssimos pastores não andem desacompanhados, peçam ajuda, não tenham medo de confrontar tudo com a Palavra de Deus, não entenderam pergunte, não sabem – aprendam.

Sugiro que leiam os textos que estão sublinhados, basta clicar sobre eles e será aberto o texto para leitura diretamente aqui nesse site. Tenham muito tempo disponível para oração e para a palavra.

A minha oração por todos nós, pastores do rebanho do Senhor Jesus Cristo, o sumo pastor: Atos 4:29-31

Ó Senhor concede aos teus servos que falem com toda a ousadia a tua palavra; enquanto estendes a tua mão para curar, e para que se façam sinais e prodígios pelo nome do teu santo Filho Jesus, mova este lugar em que estamos reunidos; e sejam todos cheios do Espírito Santo, enquanto anunciamos com ousadia e sabedoria a palavra de Deus.

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